Em uma aula recente de Economia Brasileira, meu professor lançou uma pergunta que ficou martelando na minha cabeça:
"Será que o brasileiro não sabe votar porque passou tempo demais em uma ditadura militar?"
Confesso que não há uma resposta simples. Mas a provocação é necessária.
Foram 21 anos de silêncio eleitoral. Vinte e um anos sem escolher presidentes, com partidos controlados, com censura ao pensamento crítico e com perseguições a quem ousava discordar. Em outras palavras: duas décadas onde o povo foi afastado da política — não por escolha, mas por imposição.
Agora pense comigo: como esperar que uma população desenvolva consciência cívica se foi impedida de exercê-la por tanto tempo?
A democracia exige treino. Participar da vida pública é uma habilidade social e histórica. Só que no Brasil, assim que as portas da eleição se abriram em 1989, esperava-se que todo eleitor já soubesse votar como se a democracia nunca tivesse sido interrompida. Esperava-se lucidez política em um país onde escolas falham em ensinar cidadania e onde parte da elite prefere que o povo vote mal — desde que continue votando "nos mesmos".
Será que o problema está no eleitor? Ou no ambiente institucional que ele herdou?
É fácil culpar o povo: “brasileiro não sabe votar”. Mas será mesmo uma ignorância natural ou uma consequência histórica? Afinal, o voto informado exige educação política, liberdade de expressão, acesso à informação de qualidade e confiança nas instituições. E tudo isso ainda é escasso — não por acaso.
Talvez o brasileiro vote mal não por burrice, mas por ter sido, por muito tempo, impedido de aprender a votar.
Ou talvez não.
A pergunta continua no ar — e a resposta, caro leitor, está com você.
Perfil no LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/lucas-l-7960392a8
Nenhum comentário:
Postar um comentário